Radar Editorial · Brasil

Mercado de luxo no Brasil deve atingir R$ 120 bilhões

A expectativa reforça a maturidade do setor premium e o apetite crescente por moda, joias e acessórios no país.

Publicado em 29 de setembro de 2026

A expectativa reforça a maturidade do setor premium e o apetite crescente por moda, joias e acessórios no país.

O setor de luxo no Brasil consolidou uma trajetória de crescimento robusto, superando a barreira simbólica de R$ 100 bilhões em faturamento no último ano. Após registrar R$ 98 bilhões em 2024, segundo dados da Bain & Company, o segmento avançou cerca de 7% em 2025, aproximando-se da marca de R$ 105 bilhões. Projeções de especialistas como Marcelo Chirico indicam que, em 2026, o mercado pode oscilar entre R$ 120 bilhões e R$ 130 bilhões, evidenciando uma expansão acelerada se comparado aos R$ 41 bilhões registrados em 2024. Entre 2022 e 2024, o crescimento médio anual do luxo no país foi de 12%, um índice quatro vezes superior à média mundial de 3%. Os subsegmentos que sustentam esse desempenho são Moda e Itens Pessoais, Imóveis e Automóveis, cada um movimentando aproximadamente R$ 21 bilhões em 2024. Os setores de Saúde, com R$ 14 bilhões, e Aviação, com R$ 6 bilhões, completam o ranking das categorias mais representativas. Embora o desempenho do setor supere os indicadores do varejo tradicional, a operação de luxo no Brasil enfrenta obstáculos estruturais. A pressão cambial e a elevada carga tributária sobre itens importados e supérfluos permanecem como os principais gargalos. Especialistas apontam que a concretização de acordos internacionais, como o pacto entre Mercosul e União Europeia, pode ser o gatilho necessário para aliviar as tarifas e impulsionar ainda mais o consumo nos próximos anos. Em termos de evolução percentual, o destaque fica para o setor de Automóveis, que cresceu 18%, seguido por Hotéis e Experiências com 16%, e Saúde com 15%. Segmentos como Imóveis (13%) e Iates (12%) também apresentaram expansão acima de dois dígitos, refletindo a resiliência do capital de alta renda frente às oscilações econômicas.

O perfil do consumidor premium e a força da geração prateada

Um estudo recente da Serasa Experian, realizado via plataforma Insights Hub, identificou a existência de 7,5 milhões de clientes premium no território nacional. Um dado relevante para as estratégias de marketing e e-commerce é a composição etária: metade desses consumidores possui mais de 49 anos. A chamada Geração Prateada demonstra alta capacidade de gasto e um comportamento de compra que une sofisticação ao planejamento financeiro. O perfil predominante nesse grupo é composto por homens (56%), sendo que 57% possuem renda mensal superior a R$ 10 mil. Além disso, 76% utilizam cartões de crédito de categorias exclusivas e 64% possuem o hábito de investir. Segundo Gustavo Monteiro, diretor da datatech responsável pelo estudo, entender as motivações de estilo de vida desse público é fundamental para ir além da simples análise do poder de compra, permitindo uma abordagem de vendas mais personalizada e assertiva.

Transparência e escassez de mão de obra qualificada

Apesar do otimismo financeiro, o mercado de luxo lida com uma crise de talentos. O relatório Future of Luxury 2025 revela que 47% dos principais executivos do setor na Europa consideram a falta de mão de obra qualificada um dos maiores estressores da cadeia de suprimentos. Essa escassez impacta diretamente a qualidade do atendimento e a exclusividade prometida pelas marcas. Outro ponto de atenção para os gestores é a crescente exigência por transparência nos processos produtivos. Relatórios de inteligência cultural indicam que o consumidor atual demanda saber o que ocorre nos bastidores das grandes grifes. Casos de disparidade entre o valor final do produto e a remuneração de fornecedores na base da cadeia têm gerado crises de reputação, reforçando que a integridade ética tornou-se um ativo tão valioso quanto o design ou a qualidade do material no mercado de alto padrão.

Economia global deve crescer 3,3% em 2026, projeta FMI

O crescimento da economia global deve permanecer estável em 2026, apesar de forças divergentes que continuam a pressionar diferentes regiões e setores. A projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta expansão de 3,3% neste ano e de 3,2% em 2027, patamares semelhantes ao resultado estimado para 2025.

O cenário reflete a combinação entre tensões comerciais ainda presentes e o impulso gerado por investimentos em tecnologia, especialmente nos Estados Unidos e na Ásia. Segundo o relatório World Economic Outlook Update, divulgado nesta segunda-feira (19), o avanço da economia global tem sido sustentado por condições financeiras ainda acomodativas, estímulos fiscais em algumas economias avançadas e pela resiliência do setor privado. O FMI revisou levemente para cima a projeção de crescimento de 2026 em relação ao relatório de outubro, enquanto manteve inalterada a estimativa para 2027. O comércio global, por sua vez, deve perder fôlego em 2026. O FMI projeta desaceleração do volume de trocas internacionais de 4,1% em 2025 para 2,6% neste ano, refletindo ajustes nas cadeias produtivas e a antecipação de fluxos comerciais diante de mudanças nas políticas tarifárias. Ainda assim, exportações relacionadas à tecnologia continuam a sustentar parte da atividade, especialmente na Ásia.

Tecnologia

Apesar da resiliência observada, os riscos permanecem inclinados para o lado negativo. O FMI alerta que uma revisão das expectativas de ganhos de produtividade associados à inteligência artificial (IA) pode provocar correções abruptas nos mercados financeiros, além de retração nos investimentos. Tensões geopolíticas, disputas comerciais e o elevado nível da dívida pública em diversas economias também seguem como fatores de pressão sobre o cenário global. Como contrapartida, o relatório destaca que uma adoção mais ampla e eficiente de novas tecnologias pode elevar a produtividade e sustentar um crescimento mais robusto no médio prazo. Para isso, o FMI defende políticas voltadas à recomposição de buffers fiscais, à preservação da estabilidade financeira e à implementação de reformas estruturais capazes de reduzir incertezas e ampliar o potencial de crescimento das economias.

Panorama geral

A inflação global segue trajetória de desaceleração. A expectativa é que o índice cheio recue de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026 e alcance 3,4% em 2027. Apesar da tendência de queda, o FMI observa que o processo de convergência à meta ocorre de forma mais lenta nos Estados Unidos do que em outras grandes economias, refletindo pressões persistentes sobre o custo de vida. O desempenho econômico segue desigual entre países e regiões. Nos Estados Unidos, a projeção é de crescimento de 2,4% em 2026, apoiado por estímulos fiscais e pela redução gradual dos juros, enquanto os efeitos das barreiras comerciais tendem a perder força ao longo do período. Na zona do euro, a expansão deve permanecer moderada, em torno de 1,3% em 2026, com impacto limitado dos investimentos tecnológicos e persistência de desafios estruturais. Entre as economias emergentes, o crescimento deve se manter acima de 4% em 2026 e 2027. A China teve suas projeções revisadas para cima em 2026, com crescimento estimado em 4,5%, influenciado por estímulos econômicos e pela trégua comercial com os Estados Unidos. A Índia segue como um dos destaques, com previsão de expansão de 6,4% ao ano no biênio, embora em ritmo inferior ao observado em 2025.

Referências

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